saude educacaoQuando Temer diz que quer estabelecer um teto para os gastos públicos por 20 anos, ele propõe, na verdade, comprometer mais de uma geração inteira com recursos limitados em áreas como saúde e educação. A equipe econômica do governo interino defende que essas duas áreas tenham seus investimentos vinculados à inflação do ano anterior e não mais a um percentual do Orçamento, o que, na prática, reduz bastante os investimentos. A proposta de emenda constitucional foi apresentada por Temer nesta quarta (15).

As regras valeriam tanto para o Executivo quanto para o Legislativo e, se descumpridas, a punição para o poder que extrapolar os gastos é não poder conceder reajuste ou qualquer benefício extra para os seus servidores, criar cargos, fazer concursos. Ou seja, ou tira direitos dos mais pobres ou tira dos trabalhadores do serviço público.

A PEC 241 congela os gastos públicos por 20 anos para pagar a dívida pública. Se ela já vigorasse em 2015, os investimentos em saúde teriam sido 32% menores. Em educação, a redução seria de 70%. Nos próximos dois anos, a saúde vai perder R$ 12,7 bilhões. Seria como parar o funcionamento de todos os hospitais do país por três meses.

Reduzir investimentos para as crianças de hoje pode prejudicar o seu futuro, o futuro dos seus filhos e o futuro do Brasil.

Para Temer, a única alternativa para enfrentar a crise econômica internacional parece ser mesmo tirar direitos de quem mais precisa deles.

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